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Campeões inéditos e domínio africano marcam a 30ª Maratona de São Paulo

Brasil Gigante
Notícia
12/04/2026
Por Fernanda Paradizo
Campeões inéditos e domínio africano marcam a 30ª Maratona de São Paulo
Prova tem definição nos quilômetros finais no masculino e vitória isolada no feminino; Ederson Vilela e Maria Ferraz são os destaques brasileiros

A manhã ainda escura na capital paulista foi o cenário da largada da 30ª Maratona Internacional de São Paulo, neste domingo (12), na região do Obelisco, no Parque Ibirapuera. Com temperatura de 16 °C e percurso exigente, especialmente na parte final, a prova reuniu atletas de elite em uma disputa marcada por ritmo forte desde os primeiros quilômetros e decisões apenas na reta decisiva dos 42 km.

No duelo entre brasileiros e estrangeiros, os atletas do Quênia levaram vantagem e com marcas bem expressivas. No masculino, Ezekiel Kemboi Omullo venceu pela primeira vez, com o tempo de 2h12min49s. Já no feminino, outra estreante brilhou: Euliter Jepchirchir garantiu o lugar mais alto do pódio com 2h33min10s.

A brasileira Maria Aparecida Ferraz terminou em quarto lugar, com 2h44min39s, enquanto Ederson Vilela foi novamente o melhor do país no masculino, ao ficar na sexta colocação, com 2h17min55s.

O fim de semana foi completo para os amantes da corrida de rua. No sábado, as atrações foram a Corrida das Nações (5 km) e a Maratoninha, ambas no Campo de Marte. Já no domingo, além da maratona, ocorreram provas de 21 km, 10 km e 7 km, contemplando corredores de diferentes níveis.

A prova, que integra o calendário estratégico da cidade, é a maratona oficial de São Paulo, possui o selo WA Label da World Athletics, é qualificatória para o Abbott World Marathon Majors (Age Group Qualifier) e detém o Selo Ouro da Confederação Brasileira de Atletismo. Teve, sem dúvida, uma edição comemorativa especial e que reforçou sua importância no desenvolvimento da modalidade na cidade e no país.

Na disputa da elite masculina, o grupo de líderes se formou ainda no início, com cerca de 13 atletas ditando o ritmo. Entre eles, o brasileiro Ederson Vilela Pereira chegou a se manter no pelotão principal, acompanhando a intensidade imposta pelos africanos. Com o passar da prova, o grupo foi reduzido — primeiro para oito atletas, depois cinco — até chegar aos quilômetros finais com apenas três nomes na disputa direta pela vitória.

A definição veio após o km 40. Já no trecho de subida em direção ao Ibirapuera, o queniano Ezekiel Kemboi Omullo acelerou e abriu vantagem sobre os adversários, cruzando a linha de chegada em 2h12min49s e garantindo um título inédito. Logo atrás, Jonathan Kiplimo Maiyo e James Kiprob completaram o pódio, com Elias Maiyo e Nicolas Kiptoo Kosgei (campeão em 2024) fechando o top 5 — todo formado por atletas do Quênia.

O vencedor afirmou ter estudado o percurso. “Sabia que o percurso da prova teria muitas subidas e descidas, então procurei treinar em regiões de montanha, simulando essas condições. Acredito que isso fez toda a diferença para o meu desempenho aqui. Hoje, tudo colaborou. A largada foi cedo, o clima estava agradável, e consegui me sentir muito bem durante toda a corrida. Estou satisfeito com o meu tempo. Acredito que correr entre 2h10 e 2h12 é uma marca respeitável, dentro do que eu planejava, ainda mais considerando as características exigentes do percurso”, declarou.

Destaque nacional, Ederson disse que a prova foi complicada. “Foi muito dura, com nível técnico altíssimo. Vieram muitos atletas africanos, algo em torno de 10 a 12, tornando a disputa ainda mais dura para nós. A prova ficou bem aberta. Infelizmente, terminei na sexta colocação e fiquei fora do pódio. Fico contente por ser novamente o melhor brasileiro, pelo terceiro ano consecutivo, mas fica um gosto amargo, porque o objetivo era subir ao pódio. De qualquer forma, acredito que foi um desempenho positivo. Correr em São Paulo é sempre muito desafiador, e sigo motivado para continuar evoluindo e buscando resultados melhores”, afirmou o brasileiro.

Feminino

Se no masculino a disputa se manteve equilibrada até os quilômetros finais, na elite feminina o roteiro foi diferente. A queniana Euliter Jepchirchir assumiu a liderança por volta do km 15 e, desde então, correu isoladamente, ampliando gradualmente a vantagem.

Sem ser ameaçada durante quase todo o percurso, Jepchirchir cruzou a linha de chegada em 2h33min10s e também conquistou um título inédito na prova. A etíope Desta Abera Demise terminou na segunda colocação, com 2h37min15s, seguida pela queniana Vivian Jeftanui Kiplagat (campeã de 2025), terceira colocada com 2h38min57s.

A campeã destacou o percurso. “O local onde treino tem características parecidas com o percurso da prova, com muitas subidas e descidas, e acredito que isso acabou me favorecendo bastante. Durante a prova, senti-me bem na maior parte do tempo, mas teve um trecho em que ficou complicado. Mesmo assim, eu sabia que não podia desistir. Já estava na frente e não queria me decepcionar, então segui firme até o final. Foi uma prova exigente, mas consegui administrar bem e sair satisfeita com o resultado.”

Maria Aparecida Ferraz foi a única atleta fora da África entre as cinco primeiras da prova feminina. “Foi uma preparação adequada com o meu técnico, focada em chegar aqui na Maratona de São Paulo entre as cinco primeiras e brigar para ser a melhor brasileira — e, felizmente, conseguimos. A pior parte da prova foi no final, a partir dos 36 km, quando começaram as cãibras nas pernas. Nesse momento, precisei me concentrar ainda mais para conseguir administrar a dor e concluir a prova da melhor forma possível. Essa foi apenas a minha segunda maratona e, graças a Deus, deu tudo certo. Consegui ser a melhor brasileira e ainda fazer a minha melhor marca pessoal, com 2h44. Estreei no ano passado, em Curitiba, e já vejo uma grande evolução”, disse a brasileira.

A 30ª Maratona Internacional de São Paulo é realizada e organizada pela Yescom, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil, Olympikus, Powerade, Etapp, Movida e Keeta. O patrocínio especial é do Café 3 Corações, e o relógio oficial é da Huawei. O copatrocínio é de Chiptiming, Montevérgine, Mania de Castanha, Dadinho e Antilhas Embalagens.

O apoio é do Clube UOL, Whoosh, Espaçolaser, Yorgus, Cinépolis, Polpanorte, YOPP, Copra e BanaRoque. O gel repositor oficial é Forcell, e a rádio oficial é a Rádio Metropolitana 98.5 FM. Há ainda apoio especial da Prefeitura de São Paulo e do TRT-2. A supervisão é da World Athletics, da Confederação Brasileira de Atletismo e da Federação Paulista de Atletismo.

Resultados

Masculino

1. Ezekiel Kemboi Omullo (QUE), 02:12:47 

2. Elias Maiyo (QUE), 02:12:53 

3. Jonathan Maiyo (QUE), 02:13:16 

4. James Kiplagat (QUE), 02:13:19

5. Nicolas Kiptoo Kosgei (QUE), 02:16:42

6. Ederson Vilela (BRA), 02:17:52

Feminino

1. Euliter Jepchirchir (Que), 02:33:06

2. Desta Abera Demise (ETH), 02:37:12

3. Vivian Jeftanui Kiplagat (QUE), 02:38:52

4 58 Maria Aparecida Ferraz (BRA), 02:44:34

5. Nancy Cheptegei (UGA), 02:47:26

Campeões

2026 - Ezekiel Kemboi Omullo(QUE), 2h12min49/Euliter Jepchirchir (QUE), 2h33min10
2025 - Charles Boay Sulle (TAN), 2h13min22/ Vivian Jeftanui Kiplagat (QUE), 2h39min18
2024 – Nicolas Kiptoo Kosgei (QUE), 2h16min25 / Tadesu TafaWeka (ETH), 2h50min50
2023 - Vestus Cheboi Chemjor (QUE), 2h15min20 /Yadeni Alemayehu (ETH), 2h34min48
2022 - Tilahun Nigussie(ETH), 2h18min04 /Kebebush Yisme (ETH),2h37min40
2019 - Kimani Pharis Irungu (QUE), 2h18min32/Sifan Melaku Demise (ETH), 2h35min03
2018 - Solonei da Silva (BRA), 2h15min55/Andréia Hessel (BRA), 2h40min07
2017 - Paul Kimutai (QUE), 2h17min56/ Leah Jerotich (QUE), 2h41min58
2016 - Paul Kimutai (QUE), 2h17min14/Alice Kibor (QUE), 2h35min56
2015 - Asbel Kipsang (QUE), 2h15min15/Carolyne Komen (QUE),2h35min51
2014 - Paul Kangogo (QUE), 2h14min16/Rumokol Chepkanan (QUE), 2h42min27
2013 - Stanlei Koech (QUE), 2h16min07/Samira Raif (MAR), 2h38min23
2012 - Solonei da Silva (BRA),2h12min25/Rumokol Chepkanan (QUE),2h31min31s*
2011 - David Kemboi (QUE), 2h11min53/ Samira Raif (MAR), 2h36min01
2010 - Stanley Biwott (QUE), 2h11min21/Marizete Moreira (BRA), 2h39min26
2009 - Elias Chelimo (QUE), 2h13min59/ Marizete Moreira (BRA), 2h42min24
2008 - Claudir Rodrigues (BRA), 2h17min07/Mª Zeferina Baldaia (BRA), 2h42min20
2007 - Reuben Chepkwek (QUE), 2h16min05/ Jacqueline Chebor (QUE), 2h40min12
2006 - Rotich Solomon (QUE), 2h15m15s/ Margaret Karie (QUE), 2h39min24
2005 - José Teles (BRA), 2h19min47/ Márcia Narloch (BRA), 2h40min39
2004 - Franck Caldeira (BRA), 2h17min30/ Margareth Karie (QUE), 2h40min10
2003 - Genilson da Silva (BRA), 2h16min26/Mª do Carmo Arruda (BRA), 2h39min12
2002 - Vanderlei de Lima (BRA), 2h11min19*/ Mª Zeferina Baldaia (BRA), 2h36min07
2001 - Stephen Rugut (QUE),2h14min30/ Marizete Rezende (BRA), 2h38min57
2000 - David Ngetich (QUE), 2h15min21/ Márcia Narloch (BRA), 2h40min15
1999 - Paul Yego (QUE), 2h15min29/Márcia Narloch (BRA), 2h37min20
1998 - Diamantino dos Santos(BRA), 2h16min55/ Viviany Oliveira (BRA), 2h39min58
1997 - Kipkemboi Cheruiyot (QUE), 2h17min07/ Viviany Oliveira (BRA), 2h42min13
1996 - Chalam El Maali (MAR), 2h15min21/ Janete Mayal (BRA), 2h41min40
1995 - Luiz A. dos Santos (BRA), 2h17min11/Ilyna Nadezhda (RUS), 2h49min33
* recordes