O ERRO grave que influenciadores de corrida estão divulgando

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05/07/2026
O ERRO grave que influenciadores de corrida estão divulgando
Influenciadores de corrida promovem Advil como estratégia de recuperação, mas médicos e especialistas alertam para os graves riscos à saúde. A prática pode causar lesão renal, problemas cardiovasculares e ainda sabotar a adaptação do corpo ao treinamento, sendo considerada irresponsável e perigosa por profissionais.

Domingo | 5 de julho de 2026

Uma recente campanha publicitária tem gerado polêmica no universo da corrida. Dois influenciadores digitais, Manu Cit e Rian, publicaram vídeos patrocinados recomendando o uso do anti-inflamatório Advil para aliviar dores musculares pós-treino, apresentando o medicamento como uma “estratégia de recuperação”.

No vídeo, Manu Cit, que já foi estudante de medicina, relata sua jornada de treinos e afirma que, quando necessário, o Advil se tornou um “aliado importante” para aliviar a dor sem impactar o desempenho, permitindo que ela não cancelasse seus planos. Já Rian, que tem uma inspiradora história de superação da obesidade e hoje é triatleta, também apresenta o medicamento como um “aliado” nos dias de dor mais intensa, destacando a sua ação “dois em um” e a rápida absorção da cápsula líquida.

Médicos e especialistas alertam para riscos graves

Em resposta à campanha, diversos profissionais da saúde se manifestaram, alertando para os perigos de banalizar o uso de anti-inflamatórios no esporte. A cardiologista e médica do esporte, Juliana Peres, classificou a publicidade como irresponsável, ressaltando que a prática coloca a saúde das pessoas em risco.

Segundo a médica, o uso de ibuprofeno durante exercícios prolongados pode aumentar o risco de lesão renal aguda (especialmente em atletas desidratados), sangramento gastrointestinal e problemas cardiovasculares a longo prazo. Além disso, o medicamento pode atrapalhar a própria adaptação do corpo aos treinos. “Dor de treino é normal, não precisamos aliviar essa dor”, explicou Juliana, enfatizando que mascarar dores não relacionadas ao treino com remédios é perigoso, pois pode esconder uma lesão.

O fisiologista Gerson Leite também criticou a iniciativa. Ele explicou que, durante o exercício, o fluxo sanguíneo é desviado para os músculos, diminuindo a irrigação em órgãos como rins e fígado. Tomar um anti-inflamatório nesse momento sobrecarrega esses órgãos, que já estão com o funcionamento alterado, o que pode levar a lesões. “Ridículo”, resumiu.

André “Dede” Castro, em colaboração com a médica Ana Paula Simões e o perfil “Jogo Limpo”, também publicou um alerta contundente: “O anti-inflamatório pode até tratar a sua dor, mas também pode foder seu rim e sua performance”. Eles explicam que a dor pós-treino vem de microlesões e inflamação, que são parte do processo que gera as adaptações desejadas (crescimento muscular, fortalecimento, evolução). Bloquear essa resposta com um remédio é, literalmente, bloquear parte do estímulo que o atleta suou para conseguir. O material conclui de forma direta: “Descansa, jovem. Não seja idiota”.

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Por Sérgio Rocha
Publicado em Corrida no Ar
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