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Vistos nos EUA barram sub-20 da Etiópia e ameaçam hegemonia no Mundial de Cross Country    

Contra Relógio
Notícias
08/01/2026
Por Redação
Vistos nos EUA barram sub-20 da Etiópia e ameaçam hegemonia no Mundial de Cross Country    
A hegemonia da Etiópia no Mundial de Cross Country está seriamente ameaçada. Pela primeira vez em 44 anos, o país corre o risco de sair da competição sem medalhas, não [...]

A hegemonia da Etiópia no Mundial de Cross Country está seriamente ameaçada. Pela primeira vez em 44 anos, o país corre o risco de sair da competição sem medalhas, não por falta de talento, mas por um entrave fora das pistas. Mais de uma dezena de atletas etíopes tiveram seus pedidos de visto negados pelos Estados Unidos às vésperas do World Athletics Cross Country Championships, que acontece neste fim de semana, em Tallahassee, na Flórida.

Segundo informações divulgadas pelo site LetsRun.com e confirmadas pela Federação Etíope de Atletismo, 14 dos 18 atletas da categoria sub-20 tiveram seus vistos rejeitados pela embaixada americana em Adis Abeba. Além deles, dois integrantes do revezamento misto 4 x 2 km e quatro atletas da categoria adulta também foram afetados.

A Etiópia planejava enviar equipes completas — seis homens e seis mulheres em cada categoria —, mas acabou tendo apenas um atleta sub-20 masculino autorizado a viajar: Ayele Sewnet.

Como as provas de cross exigem quatro atletas para a pontuação por equipes, o país ficará impossibilitado de registrar resultado coletivo tanto no sub-20 masculino quanto no feminino. Na prática, isso encerra uma sequência histórica de 44 anos consecutivos com medalhas no Mundial de Cross Country.

No nível adulto, o cenário é menos dramático. De acordo com o LetsRun.com, a federação conseguiu substituir os atletas impedidos por corredores que já possuíam visto válido ou que residem nos Estados Unidos. Com isso, a Etiópia conseguirá alinhar equipes completas nas provas masculina e feminina adultas, além do revezamento misto.

A Federação Etíope informou que os primeiros pedidos de visto foram protocolados em 12 de dezembro, cerca de um mês após o campeonato nacional de cross country, que serviu como seletiva. Dos 34 pedidos iniciais, 23 teriam sido negados. Uma segunda tentativa, feita semanas depois, teve o mesmo desfecho. Segundo fontes do atletismo etíope ouvidas pela Canadian Running, nem os atletas nem a federação receberam explicações formais para as recusas.

A Etiópia não é o único país afetado. A Eritreia, presença constante nas duas últimas edições do Mundial (na Sérvia e na Austrália), está fora da competição de 2026 após ser incluída em um banimento total de viagens aos EUA em junho de 2025, durante o governo do presidente Donald Trump.

A World Athletics afirmou que tomou conhecimento do problema envolvendo a Etiópia ainda em meados de dezembro. O presidente da entidade, Sebastian Coe, disse estar trabalhando em conjunto com o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos para tentar resolver a situação.

Além de Etiópia e Eritreia, outros países também não enviarão equipes para a competição nos Estados Unidos, entre eles Itália, Alemanha, Noruega, Polônia, Portugal, Áustria, República Tcheca, Croácia, Dinamarca, Finlândia, Hungria, Ucrânia, Turquia, Sérvia e Suíça.

O episódio reacende o alerta sobre dificuldades recorrentes envolvendo vistos em grandes eventos esportivos internacionais. A preocupação aumenta diante do fato de os Estados Unidos estarem programados para receber competições globais importantes nos próximos anos, como o Mundial Sub-20 de Atletismo em 2026, em Eugene, e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.