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Depois de 10 Maratonas de São Paulo, Rafael Paiva quer descobrir o Brasil correndo

Brasil Gigante
Notícia
10/04/2026
Por Fernanda Paradizo
Depois de 10 Maratonas de São Paulo, Rafael Paiva quer descobrir o Brasil correndo
Da pista de Cooper do Ibirapuera às maratonas, corredor relembra sua trajetória na capital paulista e vê no circuito um convite para ampliar caminhos pelo país

O Circuito Brasil Gigante nasce com uma proposta que vai além da performance: reunir oito maratonas pelo país em um convite para explorar o Brasil correndo. A largada oficial acontece na 30ª edição da Maratona Internacional de São Paulo, no dia 12 de abril, ponto de encontro de corredores que enxergam nos 42 km muito mais do que uma linha de chegada.

Foi nesse clima que encontramos, na expo da prova, no estande Brasil Gigante, na OCA do Parque do Ibirapuera, o maratonista carioca Rafael Paiva, de 44 anos, profissional da área de comunicação com atuação também no setor financeiro, e alguém que, como ele mesmo define, tem “mais da metade da vida dedicada à corrida”. Rafael, que morou por muito tempo na capital paulista e hoje reside em Florianópolis, está pronto para correr sua 10ª Maratona de São Paulo e começar a desenhar um novo mapa de provas pelo país, explorando lugares onde nunca correu. 

Sua relação com o esporte começou de forma simples, quase intuitiva. “Comecei numa época em que a gente basicamente saía para correr para descansar, e não para se cansar mais como um trabalho, com entregas. Eu corria de dentro para fora no sentido de pensar nas coisas, pensar na minha vida”, conta, lembrando da energia dos treinos na pista de Cooper do Ibirapuera. 

O primeiro contato com provas veio em 2002, em uma corrida em homenagem às vítimas do 11 de Setembro. “Peguei meu ônibus na Avenida 9 de Julho, em direção a Santo Amaro, na Chácara Santo Antônio, e pensei: 'Meu Deus, o que estou indo fazer lá? Correr esses 10 quilômetros competindo com queniano, etíope, os grandes brasileiros do atletismo?’ Quando cheguei lá, percebi que, na verdade, é realmente o esporte individual mais coletivo que existe. Encontrei uma grande família.”

Naturalmente, as distâncias foram aumentando, não por ambição de performance, mas por uma busca mais profunda. “Basicamente pelo fato de eu correr mais para evoluir a mente, o espírito e pensar nas coisas, fui indo para distâncias maiores muito naturalmente.”

Assim vieram as maratonas — e até ultramaratonas — como consequência de um processo que ele define como "viver cada passo".

E a maratona paulistana tem um papel especial nessa trajetória. “Carrego muito no peito a minha trajetória pelas corridas de rua. Aqui mudou a minha vida. É onde eu comecei a treinar, ali na região do Obelisco. Eu faço questão de voltar todos os anos”, diz Rafael.

E, sobre o novo circuito Brasil Gigante, ele enxerga um significado ainda maior. “Acredito que é até uma forma de poder fazer mais turismo através da própria corrida. É até um incentivo, um convite para conhecer outros lugares, como Campo Grande, Aracaju... é uma ótima iniciativa."

Além de São Paulo, Rafael já fez também a Maratona de Florianópolis e agora, mais do que completar provas, a ideia é viver experiências. E nisso a lógica do circuito se alinha perfeitamente com a filosofia do corredor: transformar cada maratona em algo maior. “Mais do que uma prova, é uma experiência de vida.”