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Volver a noticiasQuando a Copa do Mundo vira maratona na cabeça do corredor
Confesso que sentei para assistir à Copa do Mundo de Futebol. Mas bastaram alguns minutos para perceber que meu cérebro continuava correndo maratona.
Logo na abertura, a sede era a África do Sul. E o que veio à minha cabeça? A tão esperada oitava estrela das World Marathon Majors.
A música de entrada da transmissão começou a tocar. Imediatamente reconheci os acordes de Sirius, a mesma trilha que faz o coração acelerar na largada da Maratona de Berlim. Difícil não sentir aquele frio na barriga.
Os comentaristas falavam das cidades-sede, da história dos estádios e da tradição dos países participantes. E eu, sem perceber, já estava pensando em Boston, Nova York, Londres, Berlim, Chicago, Tóquio, Sydney e, agora, Cidade do Cabo.
Quando alguém mencionava a conquista de mais uma estrela para determinada seleção, minha mente fazia outra conta: quantas estrelas ainda faltam para completar a mandala das majors?
Veio o Japão em campo e me lembrei da organização impecável e da gentileza dos voluntários de Tóquio.
A câmera passeava pelos painéis de patrocinadores. Nike. Adidas. Puma. New Balance. Enquanto muitos enxergavam apenas publicidade, eu pensava em expos gigantescas, lançamentos de tênis, jaquetas comemorativas e todo aquele clima que faz parte da experiência de uma major.
No futebol, contam-se títulos.
Na corrida, contamos estrelas.
E, no fim das contas, percebi que a Copa do Mundo e as maratonas major têm mais em comum do que parece. Ambas mobilizam pessoas do mundo inteiro, carregam tradição, criam memórias inesquecíveis e despertam aquela sensação única de fazer parte de algo maior.
Talvez seja por isso que, mesmo assistindo a uma partida de futebol, eu continue pensando em corrida.
Afinal, uma vez maratonista, sempre maratonista.