O Circuito Brasil Gigante surge como um convite para percorrer o país por meio da corrida, conectando diferentes provas em uma jornada que vai além da performance. Na expo da 30ª Maratona Internacional de São Paulo, encontramos uma personagem que traduz muito bem esse espírito: Denise Amaral.
Carioca e conhecida como a “rainha das maratonas” — e também das mandalas —, Denise construiu uma trajetória sólida ao longo de mais de 40 anos no corrida. Nesse percurso, já completou 210 maratonas e conquistou quatro mandalas da World Marathon Majors, completando por quatro vezes o circuito que reúne as seis principais maratonas do mundo: Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York.
Agora, ela direciona parte desse olhar para o cenário nacional. E o novo circuito aparece como um estímulo natural dentro dessa trajetória. “As mandalas aconteceram comigo de forma muito natural. Eu corro há mais de 40 anos e já conquistei quatro mandalas das Majors Maratonas”, afirma.
A proposta do Brasil Gigante tem muito a ver com o que sempre moveu a corredora: viajar, descobrir novos percursos e manter o contato com o esporte. “Viajar pelo Brasil, conhecer outras provas, participar de maratonas novas, mesmo aquelas que já fiz e precisarei repetir por conta das regras do circuito — faz parte do processo. Não vejo problema em voltar e correr novamente”, diz.
Mais do que acumular conquistas, Denise valoriza o papel da corrida como motivação constante. “Correr já é um grande motivo. Quando você associa isso à possibilidade de viajar, acaba transformando planos em realidade. Lugares que muitas vezes ficam apenas na intenção passam a fazer parte do calendário.”
Ela cita exemplos de destinos que passam a ganhar espaço justamente por conta desse tipo de proposta. “Campo Grande é um lugar que desperta curiosidade pela natureza, pela fauna, pela flora. Muitas vezes você pensa em ir, mas não se organiza. Quando há uma prova, isso muda. Eu já fui, gostei muito e pretendo voltar.”
O mesmo acontece com outras provas do circuito. “Aracaju, por exemplo, era um plano. Agora se torna um objetivo concreto dentro desse contexto.”
Outro ponto destacado por Denise é o aspecto coletivo que se forma em torno desses desafios. “Você encontra pessoas que estão na mesma jornada, com objetivos semelhantes. Isso cria oportunidades de convivência, de troca, e acaba renovando a motivação para treinar e seguir participando.”
E essa renovação, não está necessariamente ligada a desempenho. “Nem sempre é sobre buscar um melhor tempo. Muitas vezes, o objetivo é viver uma nova experiência, conhecer uma prova diferente, construir um novo ciclo dentro da corrida.”
Enquanto amplia seu calendário no Brasil, Denise segue com uma agenda internacional intensa. Em 2026, já participou de provas como Tóquio, Seul, Nagoia e outras nos Estados Unidos e mantém o hábito de explorar formatos alternativos, como uma maratona independente que acontece no próximo fim de semana em Boston, organizada por grupos de corrida e realizada fora do circuito oficial.
Os próximos meses incluem ainda provas tradicionais no Brasil e no exterior, além de novos desafios dentro do universo das grandes maratonas. Mesmo revisitando destinos já conhecidos, a motivação permanece. “Às vezes, você já esteve naquele lugar e não necessariamente voltaria. Mas a corrida cria esse novo motivo e isso faz toda a diferença.”
Com uma trajetória marcada por consistência e curiosidade, Denise reforça o que o Circuito Brasil Gigante propõe: mais do que completar provas, trata-se de seguir em movimento, descobrindo caminhos, acumulando experiências e encontrando novos significados a cada largada.